Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

SEGREDO

não contei à lua que sonhei de novo

nem ao casulo com que partilho solidão

calo a distância faminta ao toque

uivo na alma o grito dorido

patético reviver em vida que se curva

cíclico riso de alvos dentes postiços

querem que mate a esperança e eu semeio-a

semeio-a, rego-a, mondo-a, rego-a, adubo-a

...

não contei à lua que sonhei de novo

nem à larva com quem partilho esperança

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:42
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PERFUME BRANDO

o aroma de meus sonhos é brando

as cores confundem-se

aninham-se em meu seio

saciei meu ouvir

num ramo de sorrisos

encanto de selvagem lírio

no timbre da brisa

é brando o perfume de meus sonhos

e aromatiza as flores

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:39
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DIABÓLICOS GUMES

já nem a ilusão faz sentido

respiro

cumpro um dever

uma prensa amarga-me no peito

esta dor embaraçada

onde semeei cristais quebrados

diabólicos gumes

que escravizam venenos

quero largar-me

já nem acredito em cartolas de pardais

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:34
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SAGRO-ME ZOOLOGIA

Desfaço-me em afoitos

e ruborizantes carinhos

encabresto-me e passo o bom-senso

acorpanzilamento de…

inscrevo-me e sagro-me mamífero

ouso sagrar-me quem quero

mas lagartixa febril

em labirinto tísico

no mundo decepado de toupeiras cegas

infama ruas de mudos bandidos

vai vem de infâmias

em fustigante chicote

no esponjoso mexer

de cinismo que se quer enxovalhado

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:32
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NOITE DE ESPERTINA

Ignorância míope de papagaio

que pega fogo às penas

com que escrevo, a petróleo

a deixa

para à boca de cena fenecerem

aplausos fantoches

com que se encabrestam de humanidade

galopa o bom senso, de joelhos

cavalga a memória em que dou coices

e arreio mais uma noite de espertina

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:29
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ANTES ASININO QUE ASNO

sem saber o que é o mar

encontro a agulha

na dobra da bainha do casaco

espeto-me nela

para saber onde a deixei

ela enjoou-se e desceu

algures para as calças

ainda agora comecei e já não suporto

o nó-cego

as escamas desta civilização

não sou carroça que segue os jungidos

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:27
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CAPUZ

viver enganando a vida

sem o prazer da inteligência

poder ver e admirar os outros

como se supõem

pomposos barcos vazios

na opacidade de uma rolha de cortiça

invejo o seu boiar no remanso da água

ao sabor dos ventos na crista da onda

construirei mais um barco

já que não velejei nos outros

 

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:25
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BESTA CAPAZ

 

broa da vida

broa devida

não concebo o infinito

a propagação do bicho é besta capaz

em toda a parte se instala o nada

foi assim que encontrei os vegetais

vegeto em idade e ofícios

suporto e suspiro

divago como gente doméstica

fortificada por espécie animal

doméstica

pátria minha

onde vivo no sonho

sem armas suicidas

nem longínquas infâncias

nem leito de tumba

nem frio de unhas vermelhas

levaram-me o que sabia

já não sei ter ódio

nem compaixão

possivelmente nem esperança

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:22
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SENSO

Macero!

Entediam-me domingos

com roupa nova e música de baile

e beijos de gentes com gente ao lado (esperteza cigana)

Garanto o bilhete!

Autómatos mirrados p'ra todo o serviço

amortalham

larvas frias na lava arrefecida

famintos infames de pindéricas cócegas na fama

engalanados espantalhos

com patas de terracota

e grande penacho na cauda…

desnuda-te, e põe-te nu!

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:20
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PROFETISA CLANDESTINA

profetisa clandestina em naufrágio do destino

escrava do prémio de um olhar

no regresso pendular sem melancolia

espectadora granítica de minha vida

faminta em vielas vadias

saciada de sonhos lautos

engrinaldados

clandestina em naufrágio do destino

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:19
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BITOLA EXILADA

na cela exilada

penitencio ruídos de saque

em iras famintas

sequestro virtudes

em bastarda aversão absoluta

e cinjo as pernas da alma

nódoa filosófica

Graal da mediocridade

para que não progrida na bestialidade nocturna.

nas gradas noites em que gasto as contas

ignóbil riacho que reflecte o sol dos disparates

vivo sepultada em dor órfã

só aplacada por voz maviosa

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:17
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INCOMPORTÁVEL

Hei-de conseguir escrever

palavras sóbrias e solenes

sem burilado linguístico

e com uma infinidade delicada

de atracção de modos belos

de verbos sem artifícios…

Hei-de conseguir escrever

a ideia incontida do sofrimento maior

e seguir o gesto da água doce

limiar do apreço

modesto e tranquilo!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:15
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PERFUME DE CUBO

no pensamento do cubo

o perfume do círculo

amado cavalo de flor de carqueja no olhar

ergo meus lábios ao sorriso intenso

renasce o coração recente

na alma do tempo

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:13
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INSUPORTÁVEL TEMPO

pressinto o insuportável tempo

onde dor envolve o espírito

e num aro engaste a ternura

aprisionando-a no tempo de Sísifo

a ave de terracota

tem a carne presa ao trevo

e profundidade do sentimento da pedra.

minhas violas são violetas,

não da morte ; da sensualidade

imagem de força fechada

na eternidade inteira

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:11
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CICIO À LUZ

no fulgor da montanha

cicio à luz

o pulsar estridente de meu peito

perpétuo rasgar sobrenatural.

bailarinas sombras abraçam o êxtase bárbaro

no crepúsculo impresso no mar

o amor é mais terrível que a vida

e morremos na boca um do outro

 

Edite Gil

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publicado por Edite Gil às 23:09
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MITO ORIGINAL

durmo no gesto velado

inteira à mesa

mito original o dessa mesa

descerrar transcendente

na vastidão sublime da pele

perco a espuma como religião

memória da vinha

silêncio, frágil deleite

na fecundidade de meu campo, a teu sopro

abstracta aurora tinge os astros

canta o fogo que arde a madeira

no sentido da água cálida de uma nascente

na sã demência da imobilidade das ondas

tempo obscuro a que quero devolver luz

referve a promessa nas pálpebras do vinho

a auréola rarefaz-se em madrugadas fecundas

intimidade perturbada pelo dom dos instintos

durmo no gesto velado

inteira à mesa

mito original o dessa mesa

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:06
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DOLOROSA BRANDURA

húmida língua escarlate

urze onde deixei o espírito

no ventre do vento

a resina da terra

quente curva de teu ouvido

floresce o pescoço da alma

na chama da espuma do mar

no odor que incendeia a pedra na maresia

ervas despenham-se

acordo estrela sufocada pela própria órbita que vive

arbusto pungente impregnado de sal

dolorosa brandura

o áspero hálito da espada adensa-se na amarga distância

transfiguram-se pensamentos longos de rumo único

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:00
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